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Bancada discute o desequilíbrio federativo e a crise nos municípios
Senador Cássio Cunha Lima destaca
união da bancada em favor da Paraíba e torna a dizer que Brasil segue modelo
equivocado
Nesta terça-feira (09/07), em reunião
da bancada federal com prefeitos paraibanos, que vieram a Brasília apresentar
seus pleitos ao Palácio do Planalto, o senador Cássio Cunha Lima (PSDB)
ressaltou a “união dos três senadores (Cícero Lucena e Vital do Rego) em prol
do municipalismo”.
A Marcha dos Prefeitos é organizada
pela Confederação Nacional dos Municípios (CNM) e, este ano, deve reunir
aproximadamente 4 mil participantes para discutir saúde, previdência e
educação. Assuntos a respeito dos quais fica evidente “O Desequilíbrio
Federativo e a Crise nos Municípios”.
Cássio tornou a dizer que o problema
do Brasil é de layout: “O desenho está errado e o modelo é equivocado” – disse
Cunha Lima, que advertiu para o desmanche do Pacto Federativo. Segundo o
senador, “o governo federal não pode achar que basta dar uma retro-escavadeira
e empenhar mil ou dois mil reais que está tudo resolvido e que adoçou a vida
dos municípios. Ninguém é criança para supor que medidas como essas, isoladas e
pontuais, haverão de resolver os sérios problemas por que passam os municípios
brasileiros, notadamente os da Paraíba”.
O PACTO - O Pacto Federativo é um acordo firmado entra a União e os
estados federados. Este acordo estabelece as funções, direitos e deveres da
União e dos estados O Pacto Federativo ou, como chamado atualmente, o
Federalismo Fiscal, está definido na Constituição da República Federativa do
Brasil (artigos 145 a 162), nos quais, entre outros temas, são definidas as
competências tributárias dos entes da Federação.
Isso significa que o Pacto Federativo tem estreita relação com os
mecanismos de partilha da receita dos tributos arrecadados entre os entes da
Federação, a exemplo dos Fundos de Participação dos Estados e do Distrito
Federal e dos Municípios e os Fundos Constitucionais de incentivo ao
desenvolvimento regional (Fundos Constitucionais do Norte, Nordeste e
Centro-Oeste).
Da arrecadação da União relativa ao Imposto de Renda e ao Imposto sobre
Produtos Industrializados, 48% são repassados aos referidos Fundos, e esses
impostos são alguns dos que apresentam maior arrecadação no âmbito da União.
Logo, a Constituição estabeleceu uma descentralização da receita tributária,
fortalecendo estados e municípios e enfraquecendo a União.
Porém, a União reage e tem aumentado ou criado tributos cuja arrecadação
não é obrigada a dividir com os entes federados, como é o caso das
contribuições sociais. Os estados têm como fonte principal de recursos
tributários o IPVA e o ICMS; os municípios, o IPTU e o ISS; e a União, o Imposto
de Renda e o Imposto sobre Produtos Industrializados.
E O PATO - Isso quer dizer que em tese, por ser uma União Federativa, o
governo deveria ser descentralizado, assim como a arrecadação tributária. Na
prática, porém, o pacto federativo brasileiro centraliza o poder na capital
federal, e distribui os recursos arrecadados de maneira injusta, gerando
guerras fiscais entre os estados. (Guerra fiscal é o nome que se dá ao
exercício que os estados são obrigados a fazer, reduzindo sua arrecadação para
atrair empresas).
É a esse arranjo equivocado que o
senador Cássio Cunha Lima se refere quando diz que “o layout do Brasil está
errado, porque o modelo está equivocado”. E a verdade é que, enquanto o Pacto
não for rediscutido, é o cidadão brasileiro quem vai continuar pagando o pato.
Foto: Camila Galgane
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