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O sindicalismo do Agreste
paraibano está de luto: morre primeiro presidente do STR de Campina Grande e
fundador do STR de Lagoa Seca
Faleceu na manhã desta segunda-feira, 2
de setembro, no Hospital de Emergência e Trauma, em Campina Grande, o senhorCCelestino
Pereira da Silva,(foto) 80 anos, vítima de infecção no pâncreas e problemas
coronarianos. Seu 'Paizinho', popularmente mais conhecido, era pai do atual
presidente da Câmara de Vereadores de Lagoa Seca, Nelson Anacleto (PT). Deixa
viúva a senhora Rita Anacleto Pereira, mais 9 filhos e alguns netos. Ele
residia com a família no sítio Retiro. Seu corpo está sendo vela na Casa
Napoleão Coutinho e o sepultamento acontece amanhã, às 09h00, no Cemitério
Campo da Paz, da cidade de Lagoa Seca, Agreste da Paraíba.Em função da morte do ex-líder e dirigente sindical, o prefeito de Lagoa Seca, José Tadeu (PSC) decretou luto oficial de 3 dias, bem como ponto facultativo em todas as repartições públicas municipais.
Em 1960, incentivado por Dom Manuel Pereira da Costa, bispo da Diocese de Campina Grande, o então militante das ligas camponesas, o senhor Celestino Pereira da Silva, foi um dos fundadores e primeiro presidente do Sindicato dos Trabalhadores Rurais de Campina Grande. De sua luta em favor dos trabalhadores rurais e já afastado do Sindicato dos Trabalhadores Rurais de Campina Grande, em pleno regime militar, fundou, no dia 18 de maio de 1971, juntamente com Frei Liberato, o Sindicato dos Trabalhadores Rurais de Lagoa Seca.
Sobre a criação do Sindicato dos Trabalhadores Rurais de Campina Grande, seu 'Paizinho', em 1998, concedeu entrevista ao sociólogo Eric Sabourin, que em sua obra Reforma agrária no Brasil: considerações sobre os debates atuais - fala de sua luta para a criação da entidade sindical, em Campina Grande.
“Desde o início das ligas camponesas na
Paraíba, houve uma competição entre o Partido Comunista e a Igreja católica. A
ideia da criação de um STR no município de Campina Grande foi de Dom Manuel
Pereira para evitar a criação de um sindicato ligado aos comunistas das ligas.
Os comunistas nos tratavam de 'fieis' à Igreja. De fato, teve que negociar uma
diretoria mista do novo sindicato para conseguir fundá-lo, pois os membros das
ligas eram na maioria funcionários, advogados e operários, não contando em Campina
Grande suficientes camponeses para constituir uma diretoria de 12 membros. A
igreja tinha muita influência entre os camponeses. As primeiras reuniões
tiveram lugar na sala paroquial da Igreja matriz de Campina Grande. Mas, na
nova eleição da diretoria do STR depois do golpe de Estado, todos os membros
ligados às ligas foram presos. Portanto, deixei a diretoria. A polícia militar
perseguia sem tréguas os ex-membros das ligas e os comunistas. O sindicato se
solidarizou e a Igreja ajudou a liberar alguns deles em Campina Grande".
"No caso de Lagoa Seca, além do
interesse pela manutenção do projeto de assistência médica criado pela
Paróquia, tratamos em fundar um sindicato com uma diretoria moderada, favorável
a Igreja, antes que este fosse formado por elementos mais radicais. Pesou a
história da criação do STR de Campina Grande, marcado pela concorrência
acirrada entre os candidatos da Igreja e aqueles das Ligas
Camponesas".
Em depoimento a nossa reportagem, o
sindicalista Nelson Anacleto(foto), filho de seu Paizinho e também
ex-presidente do Sindicato dos Trabalhadores Rurais de Lagoa Seca, disse
que, "sua luta em favor da classe trabalhadora o motivou a fundar
uma entidade que viesse a representar e a lutar em favor dos menos favorecidos.
Homem de profunda fé e convicções firmes naquilo que sempre acreditou, sua
trajetória de vida foi pautada na doutrina social da Igreja, no engajamento e
evangelização através das CEB's, bem como na defesa dos direitos humanos. Homem
de bons costumes, de uma vida ilibada e simples, deixa pra todos nós um exemplo
de um bom pai, de um cidadão consciente dos seus direitos e preocupado com o
bem estar de todos os cidadãos", disse.

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